Dia dos pais tem tudo a ver com Skate!
Dia dos pais tem tudo a ver com Skate!

O dia dos pais está chegando e este ano será comemorado no dia 13 de agosto, por isso eu resolvi escrever este post, falando um pouco mais desse dia tão representativo no país e colocando (claro) o Skate no tema.

Vou falar aqui sobre alguns dados históricos, minha experiência como pai, minha experiência com o meu pai e no meio dessa bagunça pretendo linkar tudo que puder sobre Skate, portanto, sentem-se, vamos começar do começo!

O dia dos pais e a história

Basicamente, hoje o dia dos pais tem grande impacto comercial no mundo todo, onde todas as empresas fazem promoções e campanhas para fomentar a venda de produtos ou serviços, mas no começo não era bem assim.

Segundo pesquisas, o primeiro registro de uma comemoração de dias dos pais foi a mais de 4.000 anos na Babilônia, quando um jovem chamado de Elmesu esculpiu na argila um cartão desejando sorte, saúde e longa vida a seu pai. A tradição acabou sendo passada de geração em geração e alcançou diversas partes do mundo.

Na mensagem, Elmesu dizia a seu pai o seguinte: “Pai tenho em você a figura de um mentor, seu exemplo moldou minha personalidade e me transformou no homem que hoje sou. Desejo saúde e vida longa a ti meu Mestre, meu senhor, meu Pai.”

O dia dos pais no Brasil

O dia dos pais é comemorado ao redor do mundo em datas diferentes, aqui no Brasil ficou definido que todo segundo domingo do mês de agosto é o Dia dos Pais, uma data estrategicamente escolhida por ser um mês sem nenhuma data comemorativa.

O dia dos pais e o Skate

Família que anda de Skate unida... PERMANECE UNIDA!
Família que anda de Skate unida… PERMANECE UNIDA!

Ninguém é igual a ninguém, portanto, cada pai é de um jeito, age da sua maneira e tem uma bagagem de vida diferente.

É exatamente por isso que nem todos os pais aprovam que seus filhos andem ou frequentem pistas de Skate.

Isso não é motivo para raiva, discussões em tons elevados ou coisa do tipo, pois atritos se resolvem com diálogo, não com mais atrito.

Meu pai e o Skate

Esse senhor de 74 anos portando um machado é o meu Pai.
Esse senhor de 74 anos portando um machado é o meu Pai.

Conheci o Skate com cerca de 4 anos de idade, pois meus irmãos andavam e os obstáculos do pessoal da rua ficavam guardados na minha casa, isso lá em 1989.

Meu pai nunca teve condições financeiras e muito menos motivação para me dar um Skate, pois ele tinha medo que eu me machucasse (não o culpo por isso, afinal eu sou o caçula).

Ganhei um Skate do meu irmão mais velho, na época chamado de “tubarão”, com “rodinhas de sabão”, caixas de bilhas e tudo que é possível encontrar num Skate comprado em lojas populares (Americanas, lojas de brinquedos infantis, etc).

Esse não oferecia risco, afinal, mal saia do lugar, nem lixa tinha, mas para uma criança era diversão na certa. Mesmo assim ele era bem melhor acabado do que os “Skates de brinquedo” de hoje em dia.

Tempos depois meu pai propôs que eu doasse esse Skate a um rapaz deficiente que precisava de um Skate para se locomover dentro da casa dele, que era pequena e não cabia a cadeira de rodas.

Por incrível que pareça, não me opus a isso, ele me ofereceu suborno, me dado algo que eu queria muito na época. Eu não era tão caridoso assim…

Nem sei se ele disse a verdade, as vezes era até história dele para eu não ter mais Skate. Meu pai é um cara incrível e de coração mole, então não duvido dele ter feito isso pensando na minha segurança (não adiantou nada, hoje tenho 14 fraturas por causa do Skate, 12 só em um tombo).

Alguns anos se passaram, meu irmão não andava mais e me deu o velho Skate dele, com Shape Urgh, rodas Anarquia, rolamentos NHBB, Truck Tracker, tudo antigo, bem grande. Nessa época (1994, eu acho), todo mundo tinha Skate no padrão que é hoje, “fino”, rodas e trucks menores. Só eu era o ET da turma!

Como era ganhado, meu pai não reclamou, mas sinceramente não gostava, mas respeitava (e não dava dinheiro para comprar peças, tudo o que eu tinha era ganhado de amigos).

Ele não tinha obrigação alguma de me presentear com um Skate ou peças, se ele não achava seguro, estava mais que certo, afinal, o dinheiro era dele e como a grana mal dava para as contas, nem de longe era prioridade em nossa casa. Isso sempre compreendi.

Isso não me desmotivou nem me impediu de andar, me virei, e estou ai até hoje, andando como recreação, mas andando!

Eu, minha filha e o Skate

Eu e Sophia em dia de rolê
Eu e Sophia em dia de rolê

Eu sou casado e pai de uma menina de 8 anos que se chama Sophia, ela felizmente puxou a beleza da mãe, mas para azar de minha esposa, ela puxou muito de minha personalidade, rs.

Sophia é extremamente alegre e elétrica, gosta de atividades que envolvam correr, pular, trepar nas coisas e tudo mais, portanto, logo de cara, desde muito pequena ela tem contato com meus Skates.

Sophia tinha uns 5 anos nessa foto.
Sophia tinha uns 5 anos nessa foto.

Nunca forcei ela a gostar, apenas apresentei e deixei que ela manipulasse e descobrisse como funciona. Como qualquer criança, começou sentando nele e usando de carrinho.

Na verdade, até hoje faz isso! Ela gosta mais de brincar do que efetivamente andar da maneira que andamos.

Quando ela tinha 4 anos de idade, já que não conseguia se equilibrar em pé, comecei a andar de longboard com ela sentada na parte da frente, fazemos isso até hoje (e já caímos cada tombo)!

Ladeira do Seminário de Frei Galvão, sempre andamos ai.
Ladeira do Seminário de Frei Galvão, sempre andamos ai.

Onde quero chegar nesta parte do texto é que nunca obriguei ela a gostar, nem esperei isso dela, mas ensinei que ela precisa respeitar. Respeitar como esporte e como cultura.

O Skate, historicamente é visto com maus olhos por boa parte da sociedade e ensinando desde cedo, é possível evitar que essa ignorância se perpetue.

Pegando carona na temática “ignorância”, eu já falo sobre diversidade, tabus, espiritualidade, e qualquer tema que ela me questione ou eu julgue importante, sempre procurando leva-la a reflexão, nunca tentando mostrar que minha verdade é a absoluta, pois não é. Sou mero aprendiz e serei assim sempre.

Isso tem trazido resultados interessantes, dúvidas também, muitas que preciso me matar de ler para responder, mas acaba sendo proveitoso para mim e para ela. Uma didática interessante onde um assunto puxa o outro e por assim vai.

Quele bate papo maneiro, minha Sobrinha que tirou essa foto.
Aquele bate papo maneiro, minha Sobrinha que tirou essa foto.

Voltando ao foco deste texto, é muito bacana tê-la a meu lado nos treinos, nas pistas que frequento, pois a menor e mais pífia manobra executada é incrível aos seus olhos.

Um tombo, por mais bobinho e inofensivo que seja, a preocupa muito. Isso, de certa forma promove uma aproximação entre pai e filha, gera um carinho, uma preocupação e até admiração.

Os momentos que tiro para ensina-la, que andamos juntos e tudo mais, é tudo muito especial e traz boas lembranças a ambos. Um momento entre pai e filha que se torna memorável!

Durante esses momentos, diversos diálogos acontecem e pude conhecer muito sobre ela, e ela sobre mim. Existe uma troca extremamente válida e sincera.

Dentre as coisas que ela descobriu sobre mim, ela sabe que tipo de peças eu gosto, onde eu mais gosto de andar e até algumas manobras que sei executar.

Indo para a pista de Skate!
Indo para a pista de Skate!

Bem, pelo menos ela sabe que este ano eu quero um jogo de rodas Spitfire 55mm e sabe que precisa pedir para mãe dela comprar pra mim na Monster Sports, que está com um estoque invejável de rodas! (hahahahahaha!)

Novamente, ela não precisa gostar, nem andar, mas sabe que gosto e que o Skate é algo extremamente importante na minha vida.

Tenho absoluta certeza que Sophia nem Skatista vai ser (nem me importo), mas a convivência comigo, com meus amigos e todos os outros Skatistas que frequentam os picos trazem experiências e reflexões a ela e com certeza depois de grande, não será uma das pessoas que vai olhar torto para o Skate, muito menos alguém que não apoiará seu filho quando ele quiser se aventurar sobre quatro rodinhas.

Para finalizar:

Pais…

Primeiro festival de Blues e Rock que a Sophia foi, ela adorou!
Primeiro festival de Blues e Rock que a Sophia foi, ela adorou!

Você pai que estiver lendo este texto, se seu filho (ou filha) quer andar de Skate, praticar qualquer outro esporte ou conhecer outras culturas, deixe-o experimentar.

Faça seu papel e acompanhe-o, converse com os frequentadores, peça dicas a essas pessoas, se aproxime da realidade dele e verá que não há nada de mais.

Respeite o livre arbítrio dele, dentro dos limites toleráveis, mas dê uma chance.

É importante lembrar que Skate não é coisa de menino e nem de menina. Skate é para todos, pois em cima do Skate todos são parceiros, amigos, companheiros.

Se sua filha se interessou, vai com tudo, deixa ela se expressar. Vai que uma nova Letícia Bufoni ou uma nova Pâmela Rosa aparecem por ai e você não sabe?

Filhos…

Sou possessivo com esse Long, ela só pega se eu estou junto!
Sou possessivo com esse Long, ela só pega se eu estou junto!

Se você, filho de um pai ou mãe que não lhe da o suporte que gostaria no Skate, não brigue, não tente fazer força contra quem paga suas contas e é responsável por lhe educar.

Seja racional, converse, mostre matérias, vídeos, informe-se e converse de maneira madura, pois assim, certamente você será ouvido com mais facilidade.

Pense que numa casa existem prioridades e peças de Skate não são nada baratas (a não ser na Monster), portanto nem todos os pais tem condições de comprar um shape todo mês ou para comprar qualquer outra peça.

Muitas vezes brigando com seus pais por eles não lhe comprarem alguma peça, está ferindo os sentimentos deles de maneira profunda, pois tem gente que quer lhe dar, mas a condição financeira não permite e sendo assim, saber que o seu filho ou filha ficou decepcionado por não ganhar algo, pode trazer uma tristeza desnecessária.

Eu sou pai, sei como é!

Ser pai é muito bom, caras!
Ser pai é muito bom, caras!

Estou cansado de negar coisas para minha filha, senão eu estava falido! E ela mimada…

Hoje, depois de muito trabalho, muito diálogo ela compreende bem melhor essa parte. Quando quer algo, me pergunta antes se eu tenho condições de dar e justifica o motivo de estar querendo. Se não rolar, tranquilo!

Uma boneca, por exemplo, se eu tenho condições eu dou, mas para ela ganhar uma nova, deve antes doar uma velha para uma criança carente. Pois ela tem muitas (avós, padrinhos, meus amigos e afins mimam ela demais as vezes).

Se eu não tenho condições no momento, eu explico e ela entende, não faz birra, não reclama, pois sabe que se eu pudesse, daria com certeza!

Aprendi isso lá atrás em meados de 1990 com meu pai, como falei no começo deste texto.

Estão entendendo? Diálogo, compreensão, tolerância!

Colhemos aquilo que semeamos e pelo menos eu tento fazer o meu melhor, da melhor maneira possível.

Não pretendo me tornar melhor do que ninguém, mas pelo menos hoje quero me tornar um cara melhor do que fui ontem. A amanhã, mesma coisa e assim por diante.

Um feliz dia dos pais para todos aqueles que exercem essa função! Paz e bem, energias positivas e vivamos cada dia da melhor maneira possível, de acordo com nossas condições!

Um forte abraço a todos os leitores!