Rebelde e sem remorso, desde o início o skate tem sido um esporte único. Criado sem regras, diretrizes ou a necessidade de ser rotulado, sempre celebrou a individualidade, seja dos antigos freestylers, seja dos demolidores de transições de hoje. Com uma evolução cultural ao longo do caminho, é fácil dizer que é mais do que apenas um esporte, é um estilo de vida — a cultura do skate.

Desde que alguns malucos colocaram uma tábua de madeira sobre rodas, mais de meio século atrás, o skate abriu caminho para se tornar um fenômeno global e atingir patamares junto aos esportes mais tradicionais. Hoje, por exemplo, os pais já não são mais tão resistentes à ideia de que seus filhos prefiram andar de skate do que ir para uma escolinha de futebol.

Em tão pouco tempo de existência o skate ganhou toda essa moral, e a história começou na Califórnia, nos Estados Unidos, nos anos 50.

Década de 1950

O surf começava a se popularizar nos Estados Unidos, mas, assim como hoje, não é todo dia que as ondas estão favoráveis. Sem as condições ideais para entrar na água, mas com vontade de deslizar por aí, alguns surfistas tiveram a brilhante ideia de colocar quadro rodas de patins embaixo de uma tábua e surfar no concreto.

A origem do primeiro skate nunca foi provada, uma vez que parece ter sido uma invenção espontânea de várias pessoas. Mas, espera lá! Você consegue imaginar a reação e os olhares das pessoas vendo isso pela primeira vez? “Ratos de praia” com cabelos longos e parafinados rasgando as ruas a todo vapor. A palavra “radical” nunca coube tão bem até aquele momento.

Década de 1960

Por volta de 1968 alguns poucos skates (não era bem um skate, tinha eixos de patins partidos ao meio, basicamente uma adaptação) começaram a aparecer no Brasil, em especial entre os surfistas cariocas. Na gringa, em 1963, algumas empresas norte-americanas começaram a promover competições nas modalidades Downhill Slalom e Freestyle, em que se destacaram skatistas como Danny Berer, Torger Johnson e Woody Woodward.

Porém, em 1965, o skate saiu de cena da noite para o dia. Parecia uma moda que veio e passou, ou talvez o perigo que as rodas de barro representavam, mas teve quem se manteve fiel ao esporte e passou a aprimorar a prática.

Década de 1970

O ponto de virada do skate foi em 1972, quando a Cadillac Wheels, de Frank Nasworthy, criou as rodas de uretano, o que aumentou a segurança dos atletas e deu novo impulso para a evolução do esporte.

Em 1975, uma competição de Slalom e Frestyle, realizada na Califórnia, mudou o conceito do skate. Os atletas da equipe Zephyr usaram o skate como ninguém tinha feito antes, tirando o esporte da categoria “hobby” para algo sério e emocionante.

Os mais notáveis membros da Zephyr eram Tony Alva, Jay Adams e Stacy Peralta — o documentário “Dogtown and Z Boys” e o filme “Lords of Dogtown retratam a trajetória do grupo.

Mas foi outra pessoa a responsável por fazer o skate alçar novos voos. Em 1978, Alan Gelfand, cujo apelido era Ollie, bateu o pé na parte traseira da prancha e se impulsionou para cima. Assim, o ollie nasceu e começou a revolucionar o esporte.

No Brasil, os anos 1970 marcaram as primeiras competições no Rio de Janeiro, em São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis. Foi também nesta década que começaram a ser produzidas as primeiras revistas especializadas, como a Esqueite, a Brasil Skate e o Jornal do Skate.

Década de 1980

O skate continuava crescendo como uma cultura underground e contestadora, enquanto algumas rampas públicas e muitas caseiras começavam a ser construídas. Além disso, as ruas das cidades iam, aos poucos, virando um grande skatepark. Paralelamente, os equipamentos e materiais continuaram evoluindo, permitindo novas possibilidades e manobras.

Uma invenção da década de 1980 também desempenhou papel fundamental na história do skate: o VHS. Com o surgimento do videotape, a equipe Bones Brigade, de Stacy Peralta e George Powell, começou a gravar vídeos de skate, levando o esporte para todo o mundo. Nas gravações, estavam as futuras lendas Steve Caballero, Tony Hawk, Rodney Mullen, Kevin Staab, Mike McGill e Lance Mountain, além de Peralta.

O esporte no Brasil começava a se recuperar do baque causado pela baixa produção de peças no final da década de 1970. Alguns skatistas seguiram firmes e começaram a se reunir na marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo, ou nas pistas particulares que surgiam pelo país. Em 1982 rola o primeiro Campeonato Brasileiro de Skate, no bowl do Itaguará Country Club, em Guaratinguetá – SP.

Mas o que marcou mesmo a década no Brasil foi a decisão do então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, em 1988, de proibir a prática do skate no parque Ibirapuera. Depois de uma manifestação contra a decisão, Jânio Quadros proibiu o skate em toda a cidade.

Em 1989, uma delegação brasileira participou do Campeonato Mundial de Vert, disputado na Alemanha, e Lincoln Ueda conseguiu o histórico quarto lugar na categoria profissional.

Década de 1990

O vertical começou a perder espaço para o street e foi aí que o skate explodiu de vez. A cultura underground do skate começou a ressoar na música punk, ao passo que, em 1995, foi realizado o primeiro X-Games da história.

No Brasil, o Plano Collor levou dezenas de empresas que produziam equipamentos à falência e o skate viu uma breve fase de decadência. Mesmo assim, o esporte continuou a crescer e a se profissionalizar.

Do meio dos anos 1990 para frente, os atletas brasileiros começaram a se destacar nas competições internacionais e, em 1997, Bob Burnquist foi eleito o Skatista do Ano pela conceituada revista Trasher.

De 2000 aos dias atuais

Os skateparks estão por toda a parte, assim como as empresas e marcas do setor, e aquele preconceito de que skatista é marginal quase sumiu. Os X-Games são cada vez mais populares, sendo o skate o carro-chefe das competições, e os atletas profissionais são cada vez melhor remunerados.

Bob Burnquist começa a empilhar títulos e até recebe o “Laureaus Awards”, prêmio considerado o Oscar do esporte. Atualmente, o veterano já deu espaço para a nova geração. Poucos brasileiros são capazes de atingir o patamar alcançado por Burnquist, mas o catarinense Pedro Barros — pentacampeão mundial de skatepark — e o gaúcho Luan Wood, estão no caminho.

Se tudo isso aconteceu nos últimos 60 anos, imagina o que os próximos 60 anos não reservam para o skate? E aí, para que caminho você acha que o skate vai? Deixe um comentário!

Fonte da imagem: thesummerhunter.com